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Câmara fria dá insalubridade? Veja seus direitos

A insalubridade, a pausa térmica e as horas extras de quem entra e sai do frio no supermercado, no frigorífico ou no açougue.

Atualizado em setembro de 2026 · Leitura de 5 minutos

Em resumo
  • Quem trabalha na câmara fria pode ter insalubridade de grau médio: 20% do salário mínimo, ou R$ 324,20 em 2026.
  • A lei garante uma pausa de 20 minutos a cada 1h40 no frio, contada como trabalho.
  • Sem a pausa, o TST garante a insalubridade mesmo com EPI, e a pausa não dada vira hora extra.

Entrar na câmara fria, sair para o salão, voltar para o frio. Repositor, estoquista, açougueiro, atendente de frios, auxiliar de frigorífico: muita gente passa o dia assim, com o corpo mudando de temperatura o tempo todo. E, no fim do mês, o holerite não mostra nenhum adicional nem pausa. Afinal, quem trabalha em câmara fria tem direito a quê?

Quem trabalha em câmara fria pode ter insalubridade de grau médio, de 20% do salário mínimo, ou R$ 324,20 por mês em 2026. Além disso, a CLT garante uma pausa de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho no frio, contada como tempo de trabalho. Se a empresa não dá essa pausa, o TST garante a insalubridade mesmo que ela entregue roupa térmica, e a pausa não concedida pode ser cobrada como hora extra.

Neste guia, sem juridiquês, você vai ver quem tem direito, como funciona a pausa térmica, quanto dá para cobrar e o que o TST já decidiu sobre a câmara fria.

📋 O que você vai ver neste artigo

Por que a câmara fria dá insalubridade?

O frio intenso e a troca constante de temperatura fazem mal ao corpo. Podem causar problemas respiratórios, dores nas articulações, problemas de circulação e resfriados frequentes. Por isso, a Norma Regulamentadora 15 (NR-15), no Anexo 9, considera insalubre o trabalho em câmaras frigoríficas ou em locais parecidos, sem a proteção adequada, quando a perícia confirma o risco.

O grau é médio: 20% do salário mínimo (art. 192 da CLT). Em 2026, com o salário mínimo de R$ 1.621, isso dá R$ 324,20 por mês. A convenção coletiva da categoria pode prever uma base maior.

Quem trabalha em câmara fria tem direito?

O direito vem da exposição ao frio, e não do nome do cargo. As funções mais comuns são:

Mesmo quem não trabalha dentro da câmara, mas fica em um ambiente artificialmente frio de forma contínua, como uma sala de desossa refrigerada, pode ter os mesmos direitos.

A pausa de 20 minutos na câmara fria

Esse é um direito que muita gente não conhece. A CLT diz que quem trabalha dentro da câmara fria, ou quem leva mercadoria do ambiente normal para o frio e vice-versa, tem direito a uma pausa de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho contínuo (art. 253 da CLT).

Essa pausa é contada como tempo de trabalho. Ou seja, você não precisa compensar esses minutos no fim do dia.

E o que é “ambiente frio” para a lei? Depende da região do país. Em geral, é o local abaixo de 15 °C nas regiões mais quentes, de 12 °C em algumas regiões e de 10 °C nas mais frias, conforme o mapa oficial do Ministério do Trabalho.

Lembre-se: anote quantas vezes por dia você entra no frio, por quanto tempo fica lá e se a empresa dá a pausa de 20 minutos. Esse registro faz muita diferença no processo.

Você se identifica com algum destes sinais?

Se marcou pelo menos um item, não decida no impulso. Converse com um advogado trabalhista para saber se o trabalho na câmara fria gera insalubridade e horas extras no seu caso.

🔒 Atendimento pelo WhatsApp, com sigilo. A conversa não obriga você a entrar com nenhuma ação.

A roupa térmica tira a insalubridade?

Só se ela eliminar de verdade o risco, e isso depende da perícia. Mas o TST decidiu, em tese que todos os juízes devem seguir, que quem trabalha na câmara fria sem a pausa de 20 minutos tem direito à insalubridade mesmo usando EPI. Ou seja, a roupa térmica não substitui a pausa.

Além disso, só entregar o equipamento não basta: a empresa precisa garantir o uso, trocar o que está gasto e fiscalizar (Súmula 289 do TST).

Quanto dá para cobrar? Um exemplo com números

Imagine o Rafael, repositor de supermercado, com salário de R$ 3.500. Ele entra e sai do frio o dia todo, nunca recebeu insalubridade e nunca teve a pausa. Considere que ele deixou de ter 2 pausas de 20 minutos por dia.

Esses números servem só para ilustrar. A conta real depende de quanto tempo você fica no frio, da perícia, das datas e da decisão do juiz.

O que os tribunais já decidiram sobre câmara fria

Em resumo, é isto que a Justiça já decidiu:

⚖️ Tema 80 dos recursos repetitivos do TST

O TST, o tribunal mais alto da Justiça do Trabalho, em Brasília, já decidiu, em tese que todos os juízes devem seguir, que quem trabalha em câmara fria sem a pausa de recuperação térmica tem direito à insalubridade, mesmo com EPI.

Ver a fonte oficial
⚖️ Súmula 438 do TST

Quem trabalha de forma contínua em ambiente artificialmente frio tem direito à pausa de 20 minutos, mesmo que não fique dentro da câmara frigorífica.

Ver a fonte oficial
⚖️ Súmula 289 do TST

Só entregar o EPI não tira a insalubridade: a empresa precisa eliminar o risco e garantir o uso correto.

Ver a fonte oficial

Como provar o trabalho na câmara fria?

Na Justiça, um perito visita o local, mede a temperatura e avalia a sua rotina e os EPIs entregues pela empresa.

O frio pode causar doença do trabalho?

Pode. Anos de exposição ao frio e às trocas de temperatura podem causar ou piorar problemas respiratórios, dores nas articulações, tendinites e problemas de circulação. Quando o médico liga a doença ao trabalho, ela é tratada como doença ocupacional. Nesse caso, você pode ter estabilidade depois do afastamento e até direito a indenização da empresa. Veja indenização por acidente de trabalho.

Por isso, guarde os atestados, os exames e as receitas, e conte ao médico como é a sua rotina no trabalho.

O que levar ao advogado

Erros comuns de quem trabalha em câmara fria

Perguntas frequentes

Câmara fria dá insalubridade de grau máximo?

Em regra, não. O frio é classificado como grau médio, de 20%. O grau máximo pode aparecer por outros agentes, se a perícia encontrar.

Câmara fria dá insalubridade ou periculosidade?

Insalubridade. O frio faz mal à saúde, mas não é um risco de vida imediato como os que dão periculosidade.

Quanto tempo na câmara fria dá direito?

A lei não exige um tempo mínimo fixo para a insalubridade: a perícia avalia a exposição. Já a pausa de 20 minutos vale a cada 1h40 de trabalho contínuo no frio.

Açougueiro tem direito à insalubridade?

Pode ter, quando entra e sai do frio na rotina. A perícia confirma o grau.

Trabalho num mercado pequeno, só abastecendo freezers. Tenho direito?

Depende. Abastecer freezers rapidamente, em geral, não basta. O que conta é o trabalho contínuo em ambiente artificialmente frio, ou a entrada frequente na câmara. A perícia avalia a sua rotina.

Posso cobrar ainda trabalhando na empresa?

Pode. A empresa não pode punir você por isso. Veja também a lista de profissões com insalubridade e o guia completo sobre insalubridade.

O que dizem nossos clientes

Avaliações reais de clientes no Google.

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ronypeterson freire de Sousa
05/04/2024
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Recomendo o trabalho do Dr Jonas super competente depois de 10 anos eu já tinha até perdido as esperança e ele lutando pelo processo muito obrigado Dr Jonas
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Marcelo JR
05/04/2024
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Muito bom. Sempre a serviço dos seus clientes. Tenho um processo com o Jonas desde 2013, e ele nunca parou de correr atrás e de tentar resolver. Devido a sua eficiência estamos conseguindo solucionar o nosso processo, e resolver o problema e receber os meu valores, devidos pela empresa. Super indico. Nota 10. Eficiência máxima.
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Diogo Rodrigues
05/04/2024
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Bom vamos lá, meu processo perdurou por mais de 10 anos, não foi fácil até por que a empresa onde trabalhava pediu falência, Dr.Jonas por meio de estratégias conseguiu algo que praticamente era impossível, chegar em um acordo e enfim resolver minha pendência com a empresa. Muito grato, pelos serviços prestados, podem confiar no profissional ele não promete milagres. Atenciosamente,
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Joelson Costa profile picture
Joelson Costa
04/04/2024
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Experiência muito boa pois fui bem recebido pelo grupo,e o meu prosseso foi conduzido com experiência pelo grupo, é índico para TDS que venha precisar dos trabalhos do grupo Figueiredo!!!
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Ana Clara
27/03/2024
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Excelente Profissional, advogado com trato e experiência jurídica ímpar. Certamente recomendo!
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Andreliza Souza
26/03/2024
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São prestativos e eficientes , estao a disposicao sempre para nos orientar....obrigada
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thais borges
18/03/2024
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Fodaaaaa 👊🏽
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Pablo Wender Dias
15/03/2024
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Atendimento nota 10, Jonas como sempre muito atencioso e prestativo, apresentando a melhor solução para o litígio.
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Luana Campos
15/03/2024
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Fui muito bem atendida desde a consultoria até o ganho da minha causa, pagamentos das parcelas foram feitos nos dias corretos, empresa justa! 🙏🏻

Você não precisa decidir isso sozinho

Trabalhar no frio cobra um preço do corpo, e a lei reconhece isso com o adicional e com as pausas. Com os holerites, as escalas e as suas anotações, um advogado trabalhista consegue avaliar o seu caso na câmara fria e calcular o que dá para cobrar.

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Sobre o autor
Jonas Figueiredo
Advogado trabalhista · OAB/SP 301.308
Atua em direito do trabalho desde 2010. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito (EPD), com MBA em Direito e Prática do Trabalho e em Direito e Prática Previdenciária. Tem formação em Técnicas de Negociação e em Planejamento Estratégico para Escritórios de Advocacia pela Fundação Getulio Vargas (FGV). É membro da Ordem dos Advogados do Brasil, da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) e da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP).
📰 Já falou à imprensa sobre direitos de quem trabalha: Metrópoles, Jornal Contábil, Portal Hospitais Brasil e outros. Veja na mídia
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