Túnel do carpo (CID G56.0): doença do trabalho e INSS
Quando a síndrome do túnel do carpo tem ligação com o trabalho e o que isso muda no benefício do INSS, na estabilidade e na indenização da empresa.
- A síndrome do túnel do carpo costuma ter ligação com movimentos repetitivos das mãos e, nesses casos, é doença do trabalho.
- Reconhecida a ligação, você tem afastamento acidentário (B91), FGTS no afastamento, 12 meses de estabilidade e pode ter auxílio-acidente e indenização.
- Aposentadoria por invalidez só em casos raros, com incapacidade permanente.
Primeiro vem o formigamento nos dedos durante a noite. Depois, a mão adormece no meio do serviço, os objetos caem, a força some. Para quem trabalha com as mãos o dia inteiro, a síndrome do túnel do carpo pode parar a vida, e muitas vezes ela nasceu no próprio trabalho.
A síndrome do túnel do carpo (CID G56.0) costuma ter ligação com movimentos repetitivos das mãos e dos punhos. Quando o trabalho causou ou piorou o problema, ela é doença do trabalho: dá afastamento acidentário pelo INSS (B91), FGTS durante o afastamento, 12 meses de estabilidade e pode gerar auxílio-acidente e indenização da empresa.
O ponto que mais pesa é provar essa ligação com o trabalho. É ela que muda os seus direitos.
📋 O que você vai ver neste artigo
- O que é a síndrome do túnel do carpo?
- Túnel do carpo é doença do trabalho?
- Túnel do carpo: o que muda quando é doença do trabalho
- Túnel do carpo dá afastamento pelo INSS?
- E se ficar sequela depois da cirurgia?
- Túnel do carpo aposenta?
- O que a empresa deveria ter feito
- Como provar a ligação com o trabalho
- Um caso hipotético: como isso funciona na prática
- Túnel do carpo: quanto isso muda? Um exemplo com números
- Você se identifica com algum destes sinais?
- Erros comuns de quem tem túnel do carpo
- O que o TST e o STJ já decidiram
- Por que ter um advogado acompanhando o seu caso
- O que levar ao advogado
- Perguntas frequentes
- O que dizem nossos clientes
- Você não precisa decidir isso sozinho
O que é a síndrome do túnel do carpo?
No punho existe um “túnel” por onde passa o nervo mediano, que dá sensibilidade ao polegar, ao indicador e ao dedo médio. Quando esse túnel aperta o nervo, surgem:
- formigamento e dormência nos dedos, principalmente à noite;
- dor que sobe pelo braço;
- perda de força e de precisão: deixar cair objetos, não conseguir abotoar a roupa.
No atestado, aparece com o CID G56.0. O exame que confirma é a eletroneuromiografia.
Túnel do carpo é doença do trabalho?
Muitas vezes, sim. A síndrome faz parte das LER/DORT, as lesões por esforço repetitivo. Veja o guia de LER/DORT. Atividades que costumam ter essa ligação:
- Linhas de produção e montagem, com movimentos repetidos das mãos.
- Digitação e caixa, por horas seguidas, sem pausas.
- Costura, corte e acabamento na indústria têxtil e de calçados.
- Açougues e frigoríficos, com faca e força no punho.
- Ferramentas que vibram, como furadeiras e marteletes.
Gravidez, diabetes e outras condições também favorecem a síndrome. Ainda assim, se o serviço teve peso no aparecimento ou na piora, a lei a trata como ligada ao trabalho (concausa, art. 21, I, da Lei 8.213/91). Em várias atividades, o próprio INSS reconhece essa ligação de forma automática, pelo nexo técnico.
Túnel do carpo: o que muda quando é doença do trabalho
| Direito | Tratada como comum (B31) | Reconhecida como doença do trabalho (B91) |
|---|---|---|
| Carência de 12 contribuições | Exigida | Não exigida |
| FGTS durante o afastamento | Não | Sim |
| Estabilidade na volta | Não | 12 meses |
| Auxílio-acidente se ficar sequela | Não | Sim |
| Pensão e dano moral pagos pela empresa | Não | Possíveis, quando a empresa falhou na prevenção |
Por isso, confira o código na carta do INSS. Se a síndrome veio do trabalho e saiu como B31, dá para pedir a mudança no INSS ou na Justiça.
Túnel do carpo dá afastamento pelo INSS?
Dá, sempre que a síndrome deixar você mais de 15 dias sem condições de trabalhar. É comum o afastamento depois da cirurgia de descompressão do nervo, ou quando os sintomas não melhoram com órtese, fisioterapia e remédios. A empresa paga os primeiros 15 dias, e o INSS paga a partir do 16º. Veja o guia do auxílio-doença.
E se ficar sequela depois da cirurgia?
Algumas pessoas ficam com perda de força, de sensibilidade ou de movimento na mão, mesmo depois do tratamento. Se a síndrome veio do trabalho e essa sequela reduz a sua capacidade na função, cabe o auxílio-acidente: 50% do salário de benefício, pago junto com o salário, até a aposentadoria.
Se a empresa teve culpa, também pode caber uma pensão paga pela empresa, proporcional à perda da capacidade, além da indenização por dano moral.
Túnel do carpo aposenta?
Em regra, não. A aposentadoria por invalidez exige incapacidade permanente para qualquer função que garanta o sustento. Isso é raro nessa síndrome, mas pode acontecer em casos graves, nas duas mãos, em pessoas mais velhas e que sempre trabalharam com as mãos.
O que a empresa deveria ter feito
As normas de segurança, como a NR-17, mandam a empresa adaptar o trabalho para evitar lesões por esforço repetitivo: pausas durante a jornada, rodízio de tarefas, mobiliário e ferramentas adequados, e ritmo compatível com a saúde. Nas atividades de digitação e de teleatendimento, as pausas são obrigatórias.
Quando a empresa ignora essas regras, mesmo com trabalhadores reclamando de dor, fica mais fácil provar a culpa dela e pedir indenização.
Como provar a ligação com o trabalho
- Eletroneuromiografia e laudos do ortopedista ou do cirurgião de mão.
- Descrição da sua função: quantas peças por hora, quantas horas sem pausa, quais ferramentas.
- Exames da empresa: o admissional sem a doença e os periódicos com as queixas.
- CAT: se a empresa não emitir, o seu médico ou o sindicato podem emitir.
- Colegas com o mesmo problema no setor, como testemunhas.
- Perícia: na Justiça, o perito avalia o posto de trabalho e a ligação com a doença.
Um caso hipotético: como isso funciona na prática
O caso abaixo é hipotético, montado a partir de situações comuns.
Márcia trabalhou 8 anos montando peças numa fábrica de eletrônicos, com centenas de movimentos por hora. Teve túnel do carpo nas duas mãos, operou e ficou 4 meses afastada como doença comum (B31). Voltou sem a mesma força e foi demitida dois meses depois.
Com os periódicos que já registravam as queixas e a descrição do ritmo da linha, o perito ligou a síndrome ao trabalho. Nesse cenário, a Justiça pode garantir à Márcia o FGTS do afastamento, a indenização pela estabilidade e o auxílio-acidente pela perda de força.
Túnel do carpo: quanto isso muda? Um exemplo com números
Veja a diferença para a Márcia, com média salarial de R$ 3.600:
| O que a Márcia recebe | Doença tratada como comum | Doença ocupacional reconhecida |
|---|---|---|
| FGTS nos 4 meses afastada | R$ 0 | Cerca de R$ 1.152 |
| Estabilidade: 10 meses indenizados | R$ 0 | Cerca de R$ 47.400 |
| Auxílio-acidente de 12 meses mais o abono | R$ 0 | Cerca de R$ 23.400 |
| Soma do primeiro ano | R$ 0 | Cerca de R$ 71.952 |
Nos 10 meses de estabilidade entram os salários, o 13º e as férias com 1/3 proporcionais, e o FGTS com a multa de 40%. Já o auxílio-acidente, perto de R$ 1.800 mensais, segue sendo pago até a Márcia se aposentar. Esses números servem só para ilustrar.
Você se identifica com algum destes sinais?
- Você sente formigamento ou dormência nas mãos, principalmente à noite.
- O seu trabalho exige movimentos repetidos das mãos ou ferramentas que vibram.
- O afastamento saiu como doença comum (B31).
- Colegas do mesmo setor têm o mesmo problema.
- Você foi demitida ou demitido depois de voltar da cirurgia.
- Ficou com perda de força na mão.
Se marcou pelo menos um item, converse com um advogado para entender o seu caso com calma.
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Erros comuns de quem tem túnel do carpo
- Esconder os sintomas por medo de perder o emprego, até a doença piorar.
- Não descrever ao médico o ritmo e as tarefas repetidas do posto.
- Aceitar o B31 sem conferir se a síndrome tem ligação com o serviço.
- Largar o emprego por causa das dores, abrindo mão da estabilidade.
- Não pedir o auxílio-acidente quando fica sequela.
O que o TST e o STJ já decidiram
Em resumo, é isto que a Justiça já decidiu:
O TST, o tribunal mais alto da Justiça do Trabalho, decidiu em 2025 que, na doença ocupacional, a estabilidade não depende de 15 dias de afastamento nem de benefício do INSS, se a Justiça reconhecer depois que a doença veio do trabalho.
Ver a fonte oficialA estabilidade de 12 meses vale para a doença do trabalho, mesmo quando a ligação com o trabalho só é reconhecida depois da demissão.
Ver a fonte oficialO auxílio-acidente é devido quando a sequela reduz a capacidade para o trabalho habitual, mesmo que a lesão seja pequena.
Ver a fonte oficialPor que ter um advogado acompanhando o seu caso
Duas pessoas com o mesmo exame podem sair com resultados bem diferentes, conforme a prova do ritmo e das condições do posto. Quem conhece as regras do INSS e da Justiça do Trabalho sabe o que precisa aparecer. O advogado:
- Reúne as provas da ligação com o trabalho: função, ritmo, pausas e exames da empresa.
- Pede a mudança do benefício de comum (B31) para acidentário (B91).
- Leva o perito a olhar o posto de trabalho, com perguntas sobre ritmo, pausas e ferramentas.
- Pede o auxílio-acidente quando fica sequela.
- Cobra da empresa a estabilidade, o FGTS, a pensão e a indenização, quando cabem.
- Acompanha os dois processos, no INSS e na Justiça do Trabalho, sem perder prazo.
Com acompanhamento, você cuida da recuperação das mãos enquanto quem entende cuida das provas. Cada caso é analisado individualmente, sem promessa de resultado.
O que levar ao advogado
- Eletroneuromiografia, laudos e relatório da cirurgia.
- Cartas do INSS com o código do benefício.
- Os exames que a empresa fez com você, do admissional aos periódicos, e a CAT.
- Carteira de trabalho, contracheques e o termo de rescisão.
- Nomes de colegas que conhecem a sua rotina.
Perguntas frequentes
Qual o CID da síndrome do túnel do carpo?
G56.0, na classificação usada pelo INSS.
Quanto tempo de afastamento depois da cirurgia?
Varia com a técnica usada e com o esforço que a função exige das mãos. O cirurgião indica o prazo, e o perito do INSS decide se concorda.
Túnel do carpo dá estabilidade?
Dá, quando é ligado ao trabalho: 12 meses a partir da volta.
Posso ser demitido com túnel do carpo?
Se a doença veio do trabalho, a demissão no período de estabilidade dá direito à volta ao emprego ou à indenização. Veja também doença ocupacional.
Túnel do carpo dá direito a indenização?
Pode dar, se a empresa teve culpa, por exemplo ao não dar pausas nem adaptar o posto de trabalho.
O que dizem nossos clientes
Avaliações reais de clientes no Google.
Você não precisa decidir isso sozinho
Perder a força das mãos muda o trabalho e o dia a dia. Com os exames, as cartas do INSS e os documentos da empresa, um advogado consegue avaliar se a sua síndrome tem ligação com o trabalho e o que você pode cobrar.
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