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Jornada e horas extras

Lei do motorista: jornada, tempo de espera e descanso em 2026

O que a lei do motorista garante ao empregado: jornada, horas extras, tempo de espera de carga e descarga, descansos, controle de jornada, o que o STF mudou em 2023 e um exemplo com números.

Atualizado em 2026 · Leitura de 7 minutos

Em resumo
  • A lei do motorista garante ao empregado jornada de 8 horas, com até 2 horas extras por dia, ou 4 com acordo coletivo, controle obrigatório do horário e descanso de 11 horas entre um dia e outro.
  • Desde a decisão do STF de 2023, o tempo de espera para carga e descarga conta como jornada e, se passar das 8 horas, vira hora extra.
  • Esses valores podem ser cobrados dos últimos 5 anos, até 2 anos depois da saída.

Fila no porto, espera no centro de distribuição, horas parado no pátio do cliente. Para quem dirige caminhão, ônibus ou van, boa parte do dia passa com o veículo parado, esperando. Durante anos, as empresas pagaram esse tempo pela metade, ou nem pagaram, com base na lei do motorista. Em 2023, porém, o STF mudou isso. Hoje, a espera conta como trabalho, e muita gente tem horas extras a receber sem saber.

A lei do motorista garante ao empregado jornada de 8 horas por dia, com até 2 horas extras, ou até 4 com acordo coletivo, além de controle obrigatório do horário, intervalo para refeição e descanso de 11 horas seguidas entre um dia e outro. Em 2023, o STF decidiu que o tempo de espera para carga e descarga conta como jornada: se passar das 8 horas, é hora extra. A decisão também proibiu fracionar o descanso diário. Esses valores podem ser cobrados dos últimos 5 anos, até 2 anos depois da saída.

A seguir, os direitos, o que mudou com o STF, como provar as horas e um exemplo com números.

📋 O que você vai ver neste artigo

A quem se aplica a lei do motorista

A Lei 13.103/2015, conhecida como lei do motorista, vale para o motorista profissional empregado. É quem dirige, com carteira assinada, veículo de transporte de cargas ou de passageiros. Entram aqui o caminhoneiro, o motorista de ônibus, de van e de entrega com veículo da empresa. As regras de jornada estão nos artigos 235-A a 235-H da CLT. Já o motorista de aplicativo é outro caso, ainda em discussão no STF. Veja vínculo empregatício.

Lei do motorista: os principais direitos

DireitoComo funciona
Jornada8 horas por dia e 44 por semana
Horas extrasAté 2 por dia, ou até 4 com convenção ou acordo coletivo, com pelo menos 50% a mais
Controle de jornadaObrigatório, por diário de bordo, papeleta ou meio eletrônico
Tempo de esperaConta como jornada desde a decisão do STF de 2023
Intervalo para refeição1 hora
Descanso entre jornadas11 horas seguidas, sem fracionar
Descanso semanal35 horas seguidas
Adicional noturnoPara as horas entre 22h e 5h
Exame toxicológicoNa admissão e na saída, pago pela empresa

O que o STF mudou na lei do motorista em 2023

Em julho de 2023, o STF julgou a ADI 5322 e considerou inconstitucionais 11 pontos da lei do motorista. Os mais importantes para quem dirige são:

O STF fixou que a decisão vale a partir de julho de 2023. Para os períodos anteriores, ainda há discussão nos tribunais, e cada caso precisa de análise.

Tempo de espera: por que isso vale dinheiro

Agora, as horas de espera entram na jornada. Assim, se o motorista dirigiu 8 horas e ficou mais 3 esperando a descarga, ele trabalhou 11 horas. Três delas são extras, pagas com pelo menos 50% a mais. Veja horas extras.

Controle de jornada: a empresa é obrigada a ter

A lei do motorista exige que a empresa controle o horário do motorista, por diário de bordo, papeleta, ficha de trabalho externo ou sistema eletrônico, como o rastreador e a telemetria do caminhão. Por isso, a desculpa de que “motorista não tem horário” não vale. Se a empresa não apresenta esses registros no processo, ou apresenta registros que não batem com a realidade, a jornada informada pelo motorista pode prevalecer.

Comissão do frete disfarçada de hora extra, espera e diária

Esse é um dos truques mais comuns no transporte de cargas. Na prática, o motorista ganha uma comissão sobre o faturamento do caminhão. Muitas vezes, o percentual sobe ou desce conforme a média de consumo de combustível. Mas o holerite mostra outra coisa: o piso da categoria, uma linha de “horas extras”, outra de “horas de espera” e as “diárias”. O acerto de verdade acontece a cada 40, 60 ou 80 dias, na volta à garagem. A diferença cai numa conta separada. E o dinheiro do cartão de despesas da estrada, lançado como “diária”, acaba descontado da comissão no acerto.

No papel, parece que a empresa pagou horas extras e diárias. Na prática, tudo era a comissão, que é salário. Os extratos e as testemunhas podem mostrar essa realidade. Nesse caso, a Justiça pode anular os holerites e reconhecer que o salário era a comissão. As consequências costumam ser estas:

Além disso, a comissão escondida reduz o FGTS e o INSS recolhidos, o que diminui a aposentadoria no futuro. Veja salário por fora.

Como provar a comissão escondida

Quando os depósitos fora do holerite caem logo depois de cada prestação de contas, a comissão aparece com clareza.

Quanto pode valer? Um exemplo com números

O caso abaixo é hipotético, montado a partir de situações comuns.

Sérgio é caminhoneiro e ganha R$ 3.800. Ele dirige 8 horas por dia, mas fica em média mais 3 horas esperando carga e descarga, sem receber como hora extra. Ele trabalha 22 dias por mês.

EtapaContaValor aproximado
Valor da hora normalR$ 3.800 ÷ 220R$ 17,27
Valor da hora extra, com 50%R$ 17,27 × 1,5R$ 25,91
Horas extras por mês3 horas × 22 dias66 horas
Valor por mês66 × R$ 25,91R$ 1.710,06
Valor em 2 anosR$ 1.710,06 × 24 mesesR$ 41.041,44

A esse valor ainda se somam os reflexos no descanso semanal, no 13º, nas férias e no FGTS, além de correção e juros. E, se o holerite mostrava R$ 3.800, mas a comissão real era de R$ 7.000 por mês, a diferença de R$ 3.200 também entra na conta. Só no 13º, nas férias com 1/3 e no FGTS de um ano, são cerca de R$ 10.539, sem contar o descanso semanal sobre a comissão. Os valores servem só para ilustrar.

Descanso, sono e a cabine-leito

O motorista pode descansar dentro do veículo, desde que ele tenha cabine-leito e esteja parado, ou embarcado com local adequado. Mas descanso de verdade é descanso. Se o motorista precisa vigiar a carga, atender o rastreador ou ficar à disposição da empresa, esse tempo pode contar como trabalho.

Por que tanto motorista não cobra

Muitos motoristas acham que “faz parte da profissão” passar horas na fila, dormir pouco e dirigir de madrugada. Outros têm medo de ficar sem frete ou sem emprego, um receio compreensível. Mas a lei mudou justamente para proteger a saúde de quem passa a vida na estrada. E cada hora de espera não paga é dinheiro que fica com a empresa.

Saúde e aposentadoria do motorista

Jornadas longas e vibração cobram um preço na coluna, no coração e no sono. Guarde os exames e os afastamentos, que podem ter relação com o trabalho. Além disso, o motorista que trabalhou exposto a ruído ou a vibração acima dos limites pode ter tempo especial para a aposentadoria, desde que comprove com o PPP. Veja aposentadoria especial e PPP.

Você se identifica com alguma destas situações?

Se algum item combina com você, converse com um advogado trabalhista. A conversa é sigilosa.

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O que a Justiça já decidiu sobre a lei do motorista

Em resumo, é isto que a Justiça já decidiu:

⚖️ TST, 3ª Turma, 2024

Com base na ADI 5322 do STF, o tempo de espera do caminhoneiro para carga e descarga conta como jornada e deve ser pago.

Ver a fonte oficial
⚖️ Súmula 91 do TST

É nula a cláusula que fixa um valor único para pagar, de uma vez, vários direitos do trabalhador, sem separar cada um.

Ver a fonte oficial
⚖️ Súmula 340 do TST

Quem recebe por comissão tem direito ao adicional de pelo menos 50% sobre o valor da hora calculado com as comissões, nas horas extras.

Ver a fonte oficial
⚖️ Súmula 338 do TST

Quando a empresa é obrigada a controlar o horário e não apresenta os registros, vale a jornada informada pelo trabalhador, salvo prova em contrário.

Ver a fonte oficial

Erros comuns sobre a lei do motorista

Por que ter um advogado acompanhando o seu caso

As horas do motorista ficam espalhadas por muitos registros: diário de bordo, rastreador, notas de entrega, tíquetes de pedágio e mensagens com a central. Sozinho, é difícil juntar tudo e transformar em horas extras. Além disso, a decisão do STF de 2023 mudou as regras no meio do caminho. O cálculo de antes e depois dessa data é diferente, e isso exige atenção para não deixar dinheiro para trás.

Por isso, o advogado trabalhista:

Cada caso é analisado individualmente, sem promessa de resultado.

Perguntas frequentes

Tempo de espera é hora extra?

Desde julho de 2023, o tempo de espera conta como jornada. Se, somado à direção, passar das 8 horas, é hora extra.

Motorista que dorme no caminhão recebe pelo pernoite?

O tempo de descanso real não conta como trabalho. Mas, se ele precisa vigiar a carga ou ficar à disposição, esse tempo pode ser cobrado.

A lei do motorista vale para motorista de aplicativo?

Não. Ela vale para o motorista empregado. A situação dos aplicativos ainda está em julgamento no STF.

Quanto tempo tenho para cobrar?

Até 2 anos depois de sair da empresa, cobrando os últimos 5 anos de trabalho.

O que dizem nossos clientes

Avaliações reais de clientes no Google.

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ronypeterson freire de Sousa
05/04/2024
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Recomendo o trabalho do Dr Jonas super competente depois de 10 anos eu já tinha até perdido as esperança e ele lutando pelo processo muito obrigado Dr Jonas
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Marcelo JR profile picture
Marcelo JR
05/04/2024
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Muito bom. Sempre a serviço dos seus clientes. Tenho um processo com o Jonas desde 2013, e ele nunca parou de correr atrás e de tentar resolver. Devido a sua eficiência estamos conseguindo solucionar o nosso processo, e resolver o problema e receber os meu valores, devidos pela empresa. Super indico. Nota 10. Eficiência máxima.
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Diogo Rodrigues
05/04/2024
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Bom vamos lá, meu processo perdurou por mais de 10 anos, não foi fácil até por que a empresa onde trabalhava pediu falência, Dr.Jonas por meio de estratégias conseguiu algo que praticamente era impossível, chegar em um acordo e enfim resolver minha pendência com a empresa. Muito grato, pelos serviços prestados, podem confiar no profissional ele não promete milagres. Atenciosamente,
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Joelson Costa profile picture
Joelson Costa
04/04/2024
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Experiência muito boa pois fui bem recebido pelo grupo,e o meu prosseso foi conduzido com experiência pelo grupo, é índico para TDS que venha precisar dos trabalhos do grupo Figueiredo!!!
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Ana Clara
27/03/2024
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Excelente Profissional, advogado com trato e experiência jurídica ímpar. Certamente recomendo!
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Andreliza Souza
26/03/2024
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São prestativos e eficientes , estao a disposicao sempre para nos orientar....obrigada
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thais borges
18/03/2024
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Fodaaaaa 👊🏽
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Pablo Wender Dias
15/03/2024
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Atendimento nota 10, Jonas como sempre muito atencioso e prestativo, apresentando a melhor solução para o litígio.
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Luana Campos
15/03/2024
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Fui muito bem atendida desde a consultoria até o ganho da minha causa, pagamentos das parcelas foram feitos nos dias corretos, empresa justa! 🙏🏻

Você não precisa decidir isso sozinho

A estrada já cobra muito de quem vive nela, e as horas paradas também são trabalho. Com os diários de bordo, os comprovantes de viagem e as mensagens com a empresa, um advogado trabalhista consegue mostrar o que a lei do motorista garante no seu caso e cobrar as horas que ficaram para trás.

O atendimento é pelo WhatsApp, com sigilo, e a conversa inicial não obriga você a entrar com nenhuma ação.

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Sobre o autor
Jonas Figueiredo
Advogado trabalhista · OAB/SP 301.308
Atua em direito do trabalho desde 2010. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito (EPD), com MBA em Direito e Prática do Trabalho e em Direito e Prática Previdenciária. Tem formação em Técnicas de Negociação e em Planejamento Estratégico para Escritórios de Advocacia pela Fundação Getulio Vargas (FGV). É membro da Ordem dos Advogados do Brasil, da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) e da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP).
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