Perícia do INSS: como se preparar e o que levar
Os tipos de perícia, os documentos que fazem diferença, como se comportar diante do perito e o que fazer quando o resultado é negativo.
- A perícia do INSS avalia se a doença impede você de fazer o seu trabalho, e não só se a doença existe.
- Leve laudos atualizados, exames e um relatório do médico que diga o que você não consegue fazer.
- Se o resultado for negativo, dá para recorrer em até 30 dias corridos ou ir à Justiça, onde a perícia é feita por um médico nomeado pelo juiz.
A data da perícia do INSS chega e, com ela, a ansiedade. Poucos minutos com um médico que você nunca viu vão decidir se você recebe ou não o benefício. É normal ter medo de esquecer algum papel ou de não conseguir explicar direito o que sente.
A perícia do INSS é a avaliação feita por um médico perito para saber se a sua doença impede você de fazer o seu trabalho. Não basta mostrar que a doença existe: é preciso mostrar o que ela tira de você no dia a dia. Leve laudos atualizados, exames e um relatório do seu médico que descreva as suas limitações.
A boa notícia é que dá para se preparar. E uma perícia bem preparada muda muitos resultados.
📋 O que você vai ver neste artigo
- O que o perito do INSS avalia?
- Quais são os tipos de perícia do INSS?
- Como agendar a perícia do INSS?
- O que levar na perícia do INSS
- O relatório médico que faz diferença
- Como se comportar na perícia do INSS
- Perícia do INSS para depressão, ansiedade e outras doenças mentais
- E a perícia do BPC?
- Um caso hipotético: como isso funciona na prática
- Perícia do INSS: quanto dá para receber? Um exemplo com números
- Você se identifica com algum destes sinais?
- Como ver o resultado da perícia?
- A perícia negou. E agora?
- Erros comuns na perícia do INSS
- O que o STF e a TNU já decidiram
- Por que ter um advogado acompanhando o seu caso
- O que levar ao advogado
- Perguntas frequentes
- O que dizem nossos clientes
- Você não precisa decidir isso sozinho
O que o perito do INSS avalia?
O perito não avalia só a doença. Ele avalia a sua capacidade de trabalhar na sua função. Duas pessoas com a mesma hérnia de disco podem ter resultados diferentes: um pedreiro que carrega peso pode estar incapaz, e alguém que trabalha sentado pode não estar.
Por isso, a pergunta que o perito precisa ver respondida é: o que você não consegue fazer no seu trabalho, e por quanto tempo?
Quem pede ou recebe benefício por incapacidade é obrigado a passar pela perícia sempre que o INSS chamar (art. 101 da Lei 8.213/91).
Quais são os tipos de perícia do INSS?
| Tipo | Como funciona | Quando costuma ser usada |
|---|---|---|
| Atestmed | O INSS analisa só os documentos enviados pelo Meu INSS, sem consulta | Afastamentos curtos, de até 90 dias no total |
| Presencial | Consulta com o perito numa agência do INSS | Afastamentos mais longos, prorrogações e casos mais complexos |
| Teleperícia | Você vai à agência, e o perito atende por vídeo, de outro lugar | Adotada pelo INSS a partir de 2026 em várias cidades |
| Hospitalar ou domiciliar | O perito vai até o hospital ou a casa | Quem está internado ou não tem condições de se locomover |
Na teleperícia, os seus documentos são digitalizados na agência. Por isso, leve tudo legível e organizado.
Como agendar a perícia do INSS?
- Entre no Meu INSS (site ou aplicativo) com a sua conta gov.br, ou ligue para o 135.
- Faça o pedido do benefício por incapacidade e envie os documentos médicos.
- O sistema indica se o caso vai para o Atestmed ou para a perícia com data e local.
- Anote o dia, o horário e o endereço. Chegue com antecedência: atrasos podem fazer você perder o horário.
Se não puder ir, remarque pelo Meu INSS ou pelo 135 antes da data. Faltar sem justificativa pode levar ao arquivamento do pedido.
O que levar na perícia do INSS
- Documento com foto e CPF.
- Carteira de trabalho ou outro documento que mostre a sua função.
- Laudos e relatórios médicos atualizados, com o CID, a data, o nome e o CRM do médico.
- Exames: ressonâncias, raio-x, eletroneuromiografia, o que houver, dos mais antigos aos mais recentes.
- Receitas e comprovantes de tratamento, como fisioterapia e terapia.
- Relatório de internação ou cirurgia, se houver.
Organize tudo em ordem de data. Um perito com pouco tempo entende melhor um histórico arrumado.
O relatório médico que faz diferença
Esse é o documento mais importante. Um atestado com “CID M54.5, afastar por 30 dias” diz pouco. Peça ao seu médico um relatório que traga:
- o diagnóstico e desde quando você trata;
- os tratamentos já feitos e o resultado;
- o que você não consegue fazer: carregar peso, ficar em pé, digitar, dirigir, lidar com o público;
- por que isso impede a sua função;
- o tempo estimado de afastamento.
Como se comportar na perícia do INSS
- Explique a sua função com detalhes: o que você faz, quantas horas, quais movimentos repete.
- Fale a verdade, sem exagerar nem diminuir os sintomas. Dê exemplos do dia a dia: “não consigo pentear o cabelo”, “não durmo mais de duas horas por causa da dor”.
- Não tome o remédio de uma forma diferente só por causa da perícia.
- Leve um acompanhante, se tiver dificuldade para andar, falar ou lembrar das coisas.
- Anote o nome do perito e como foi o atendimento.
Perícia do INSS para depressão, ansiedade e outras doenças mentais
Nas doenças mentais, a perícia é ainda mais delicada: a pessoa pode parecer calma durante os poucos minutos da consulta e, mesmo assim, não ter condições de trabalhar. Por isso:
- Leve o relatório do psiquiatra, com o histórico, os remédios, as crises e as internações, se houver.
- Leve também relatórios do psicólogo ou do CAPS, que acompanham o dia a dia.
- Vá com um acompanhante que conheça a sua rotina e possa ajudar a contar o que acontece em casa.
Se a doença veio do ambiente de trabalho, como metas abusivas ou assédio, diga isso ao perito e leve provas.
E a perícia do BPC?
No BPC para pessoa com deficiência, além da perícia médica, há a avaliação social, que olha as barreiras do dia a dia. Veja como se preparar no guia do BPC para pessoa com deficiência.
Um caso hipotético: como isso funciona na prática
O caso abaixo é hipotético, montado a partir de situações comuns.
Rita, costureira numa confecção, teve tendinite nos dois punhos. Na primeira perícia, levou só um atestado com o CID. Explicou pouco, por nervosismo, e o perito concluiu que ela podia trabalhar.
Com orientação, ela pediu à médica um relatório dizendo que não conseguia fazer movimentos repetitivos nem segurar a tesoura por mais de alguns minutos, e juntou os exames. Na Justiça, o perito confirmou a incapacidade. Assim, o juiz pode conceder o benefício desde o primeiro pedido.
Perícia do INSS: quanto dá para receber? Um exemplo com números
Veja a diferença para a Rita, com média salarial de R$ 3.600, se ela ficar 5 meses sem conseguir trabalhar:
| O que a Rita recebe | Perícia negou e ela desistiu | Benefício concedido na Justiça |
|---|---|---|
| Auxílio-doença por mês | R$ 0 | Cerca de R$ 3.276 |
| 5 meses de atrasados | R$ 0 | Cerca de R$ 16.380 |
| Abono anual proporcional | R$ 0 | Cerca de R$ 1.365 |
| Total | R$ 0 | Cerca de R$ 17.745, mais correção |
Esses números servem só para ilustrar.
Você se identifica com algum destes sinais?
- Você tem perícia marcada e não sabe o que levar.
- A perícia disse que você pode trabalhar, mas o seu médico diz que não.
- O Atestmed negou por problema no atestado.
- O benefício acabou e você ainda não se recuperou.
- A sua doença veio do trabalho e o perito não registrou isso.
- Você não consegue ir até a agência por causa da doença.
Se marcou pelo menos um item, converse com um advogado para entender o seu caso com calma.
🔒 Atendimento pelo WhatsApp, com sigilo. A conversa não obriga você a entrar com nenhuma ação.
Como ver o resultado da perícia?
O resultado aparece no Meu INSS, em “Consultar pedidos”, e também pode ser consultado pelo 135. Leia a carta com atenção: ela diz se o benefício foi concedido, até quando, ou o motivo da negativa.
A perícia negou. E agora?
- Pedido de prorrogação: se o benefício está acabando e você não melhorou, peça nos 15 dias antes do fim. O pagamento continua até a nova perícia.
- Recurso: em até 30 dias corridos, pelo Meu INSS, com documentos novos.
- Ação na Justiça: basta ter o pedido negado. Na Justiça, a perícia é feita por um médico nomeado pelo juiz, sem ligação com o INSS, e o seu advogado pode fazer perguntas ao perito e indicar um médico assistente técnico.
Se a doença veio do trabalho, peça que o benefício seja registrado como acidentário (B91). Veja o guia de auxílio-doença e o de benefício negado pelo INSS.
Erros comuns na perícia do INSS
- Levar só atestados curtos, sem relatório das limitações.
- Não explicar a sua função e os movimentos que ela exige.
- Chegar atrasado ou faltar sem remarcar.
- Levar exames soltos, fora de ordem, sem os mais recentes.
- Aceitar a negativa sem entender o motivo.
O que o STF e a TNU já decidiram
Em resumo, é isto que a Justiça já decidiu:
O STF, o tribunal mais alto do país, decidiu que é preciso pedir o benefício ao INSS antes. Com o pedido negado na perícia, dá para ir à Justiça, sem esperar o recurso.
Ver a fonte oficialO segurado sempre pode pedir a prorrogação do benefício, e o pagamento continua até a nova perícia.
Ver a fonte oficialQuando a perícia aponta incapacidade parcial, o juiz deve analisar também a idade, o estudo e a condição social da pessoa.
Ver a fonte oficialPor que ter um advogado acompanhando o seu caso
A perícia dura poucos minutos, mas o que está em jogo é a sua renda por meses. Quem conhece a prática das perícias sabe o que o perito precisa ver. O advogado:
- Orienta o relatório médico, para que descreva as limitações e não só o CID.
- Organiza os documentos em ordem, do mais antigo ao mais recente.
- Explica como falar da sua função e o que costuma ser perguntado.
- Confere se o benefício deveria ser acidentário, o que dá estabilidade e FGTS.
- Na Justiça, faz perguntas ao perito e pode indicar um médico assistente técnico.
- Controla os prazos de prorrogação e de recurso.
Com acompanhamento, você chega à perícia sabendo o que mostrar. Cada caso é analisado individualmente, sem promessa de resultado.
O que levar ao advogado
- Carta do INSS com o resultado da perícia.
- Laudos, exames e receitas.
- Extrato do CNIS, no Meu INSS.
- Carteira de trabalho e holerites.
- CAT e exames da empresa, se a doença veio do trabalho.
Perguntas frequentes
Posso levar acompanhante na perícia do INSS?
Pode, principalmente se tiver dificuldade para andar, falar ou se lembrar das coisas.
Posso gravar a perícia?
Não há uma regra clara que permita a gravação sem autorização. O mais seguro é anotar tudo logo depois: o nome do perito, o horário e o que foi perguntado.
Quanto tempo demora o resultado?
Costuma sair em poucos dias no Meu INSS. No Atestmed, a análise pode levar algumas semanas.
O perito pode negar mesmo com atestado?
Pode. O atestado é uma opinião do seu médico, e o perito faz a própria avaliação. Por isso, o relatório detalhado faz tanta diferença.
Posso pedir outra perícia se discordar?
Pode recorrer em 30 dias ou ir à Justiça, onde a perícia é feita por um médico nomeado pelo juiz.
O que dizem nossos clientes
Avaliações reais de clientes no Google.
Você não precisa decidir isso sozinho
Chegar à perícia doente, nervoso e sem saber o que levar é mais comum do que parece. Com os seus laudos, exames e a carta do INSS, um advogado consegue orientar a preparação da perícia do INSS ou avaliar o melhor caminho depois de uma negativa.
O atendimento é pelo WhatsApp, com sigilo, e a conversa inicial não obriga você a entrar com nenhuma ação.
🔒 Atendimento pelo WhatsApp, com sigilo. A conversa não obriga você a entrar com nenhuma ação.